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13/mai/2013

Pesquisa

Pesquisa mostra que estresse pode estimular a vontade por doces em mulheres

A vontade de comer doces que algumas mulheres sentem pode ter uma explicação: o estresse. Uma pesquisa mostrou que mulheres estressadas têm sete vezes mais chances de desenvolver a Dependência de Substâncias Doces (DSD) que também é conhecida como fissura por alimentos doces. O estudo foi realizado pela aluna de mestrado Danielle Marques Macedo sob a orientação da professora Rosa Wanda Diez Garcia do Departamento de Nutrição e Metabolismo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

Segundo Danielle, as principais características das mulheres com estresse foram: baixa escolaridade, baixa renda sócio-econômica, presença de problemas conjugais e insatisfação com o ambiente de trabalho.

Foram selecionadas 57 mulheres saudáveis de 20 a 45 anos e com o Índice de Massa Corporal (IMC) na faixa de sobrepeso. O estresse foi diagnosticado por meio do "Inventário de Sintomas de Estresse para Adultos de Lipp" e as mulheres foram divididas em dois grupos: com estresse e sem estresse.

Foram identificadas características do comportamento da DSD e o consumo alimentar. Os níveis basais de dois hormônios reguladores do apetite foram dosados e analisados (grelina ativa e leptina). Os dados antropométricos avaliados foram: peso corporal, estatura, circunferência da cintura e Percentual de Gordura Corporal (%GC).

As variáveis (DSD, consumo de açúcares e exames bioquímicos) foram analisadas com as mulheres separadas de acordo com a presença do estresse e, posteriormente, com as mulheres separadas pela DSD.

A amostra do estudo foi composta por 31 mulheres com estresse e 26 mulheres sem estresse. A maioria das mulheres com DSD afirmou que comem doces para se sentirem melhor (ou para mudar o estado de humor); já constataram que precisa de quantidades de doces cada vez maiores; sentem algum sintoma na ausência de doces; sempre consomem doces mais do que pretendia; ficam horas pensando em como adquirir doces; já reduziram atividades diárias ou de lazer para ficar ingerindo doces; e continuam consumindo estes produtos mesmo sabendo das possíveis consequências à saúde.

Em relação à análise da ingestão média diária de açúcares, não houve diferença estatística entre as mulheres com e sem estresse. No entanto, as mulheres com estresse afirmaram que sentem mais vontade de comer doces.

Os níveis basais de leptina foram significativamente mais altos entre as mulheres dependentes de doces. Níveis aumentados deste hormônio parecem favorecer ainda mais o consumo alimentar, sobretudo de produtos ricos em açúcares. E os dados antropométricos não se diferenciaram entre as mulheres com e sem estresse, com exceção da medida da circunferência da cintura que foi significativamente maior entre as mulheres estressadas.

Esse estudo foi o resultado da dissertação "Estresse, consumo de açúcares, dependência de substâncias doces, e níveis plasmáticos de hormônios reguladores do apetite em mulheres", apresentada na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP pela aluna Danielle Marques Macedo, orientada pela professora Rosa Wanda Diez Garcia, em novembro do ano passado.